terça-feira, 14 de agosto de 2007

Êxodo de jogadores aflige o futebol brasileiro


por João de Andrade Neto

O volante Josué acertou ontem a sua saída do São Paulo. O jogador, que era pretendido por alguns times da Europa, foi negociado por 2 milhões de euros com o Wolfsburg, clube médio da Alemanha. O contrato do volante terminaria no final do ano e, assim, o São Paulo perderia o atleta sem receber nada em troca, da mesma forma que aconteceu com Mineiro.

A saída de Josué é o fim de uma era no São Paulo. A equipe campeã da Libertadores e Mundial em 2005 está praticamente desfeita. Daquele time, apenas Rogério Ceni, o lateral Júnior, o atacante Aloísio e o meia Souza, que era reserva, permanecem na equipe. Fabão e Danilo foram para o Japão, Lugano é ídolo na Turquia, Cicinho está no Real Madrid e Mineiro atua no futebol alemão.

Mais do que o término de uma equipe vitoriosa, a saída de Josué evidencia um claro e contínuo êxodo do futebol brasileiro. Apenas na janela de transferência do meio do ano, a maioria dos times brasileiros sofreram severas baixas em seus elencos.

O Inter, atual campeão mundial, viu-se obrigado a ceder aos 20 milhões de euros que o Milan, da Itália, ofereceu por Alexandre Pato, a maior revelação do futebol nacional desde Kaká. O dinheiro deve servir para reestruturar a equipe gaúcha e para reformar o estádio Beira-Rio, mas não deverão ser contratados reforços para o lugar de Pato.

O Flamengo perdeu sua maior referência em campo, ao ver o meia Renato levar seus potentes chutes para a Arábia. Desde então, o campeão carioca deste ano não encontrou o bom futebol e amarga a zona de rebaixamento do Brasileirão.

O volante Lucas, do também gaúcho Grêmio, confirmou no time principal o grande futebol apresentado nas categorias de base e nem teve tempo de permanecer. Após jogar a Libertadores e chegar à final, foi negociado com o Liverpool, da Inglaterra.

O Cruzeiro apostou no atacante Araújo, que estava contundido e, após longa recuperação, tornou-se o destaque da equipe celeste no Brasileirão. Mas a proposta de um clube da Arábia Saudita fez com que Araújo deixasse o Cruzeiro, atrás dos famosos 'petrodólares'.

O Atlético Mineiro perdeu o excelente goleiro Diego, que vinha fazendo uma bela campanha ao lado do Galo, para a Espanha. O próprio São Paulo já havia vendido o lateral Ilsinho para a Ucrânia. O Atlético Paranaense negociou o artilheiro Dênis Marques com o Japão. O meia Fumagalli, que fazia boa campanha com o Sport, foi para os Emirados Árabes. O atacante Welliton, que ganhava notoriedade fazendo gols pelo Goiás, transferiu-se para a Rússia.

A lista já é longa, mas pode ficar ainda maior. O futebol europeu está de olho nos meias Valdívia, do Palmeiras, e Willian, do Corinthians. O lateral Kléber, do Santos, também está ligado à várias especulações. O artilheiro Josiel, do Paraná, já está de malas prontas para ir jogar na Rússia, só espera a conclusão das negociações.

As propostas, sempre tentadoras, chegam todos os dias e ainda contam com o apoio dos empresários, interessados em negociar seus atletas. Os clubes brasileiros, quase sempre sem condições de recusar os valores astronômicos oferecidos, não conseguem disputar com o mercado internacional.

Na última década, o futebol europeu tirou as grandes estrelas do futebol brasileiro. E não há como impedir, os atletas sonham em jogar no Velho Continente, os times precisam do dinheiro das vendas para manter suas atividades.

Mas, recentemente, outros mercados começaram a ganhar a concorrência por nossos jogadores. Países do leste europeu, com a Ucrânia, as potenciais asiáticas, como o Japão e a Coréia, assim como os países árabes, estão investindo pesado na contratação de brasileiro. E então, o que fazer?

A solução é continuarmos como 'fábrica' de craques. O investimento nas categorias de base, somado ao amor do povo brasileiro pelo futebol, deve fazer com que continuem nascendo grandes jogadores em terras tupiniquins.

E enquanto a economia do país não estiver fortalecida o suficiente para igualar as propostas internacionais, temos que torcer para que a cada ano surjam novos craques, como Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho e Alexandre Pato.

E você, o que acha da saída dos jovens jogadores brasileiros? Comente!


3 comentários:

Anônimo disse...

Pois eh, desde que o mundo eh mundo que o futebol brasileiro eh assim. Naum adianta, isso naum vai mudar!
Desses todos, os que mais sofrem saum Flamengo e Inter, pq perder Renato e Pato naum eh facil naum... tanto que eh soh olhar a classificaçao e ver como os dois tao!
Abraço

Anônimo disse...

Esses jogadores farão falta no Brasileiro, mais já estmaos acostumados. Td ano é a mesma coisa, então não tem mais oq reclamar. O jeito é trazer os veteranos de lá tbm!
Abraços!

Obede Jr. disse...

Com clubes fracos, o resultado não poderia ser outro. O Brasil poderia ter um super campeonato, com uma liga rica, mas ninguém sabe aproveitar.. e não venham me falar que é por causa da condição do país em si, pois vide o México, que não é primeiro-mundo, e tem uma liga milionária!
Há mto interesse e mente pequena nesse país.. e isso precisa mudar!!
E ainda bem que o Josué foi embora haha

E Valdívia, não! nãooooo!
abraz!